Tenho uma pequena charada aos leitores: o que pode ser mais estimulante do que uma cadeira do Social? Resposta: uma cadeira do Social aonde se discutem cotas raciais! Acho que só falta me enforcar com meu intestino grosso para completar meu arroubo de felicidade!
E foi mais ou menos assim que eu me senti hoje de tarde. Acho que todas as cadeiras do Social que se consideram cadeiras do Social fizeram uma aula dedicada à discussão sobre cotas.
Discussão, aliás, que é um eufemismo. Não pretendo entrar no mérito do que acho sobre o sistema de cotas. Acho que ele fede, é uma idéia patética, é tapar o Sol com a peneira, e dou graças a Deus por já estar na faculdade e não precisar concorrer para 28 vagas em lugar das já escassas 40. Em lugar de pessoas de escolas públicas, defendo cotas para homens com cérebro na Psico. Tudo bem, Lorenzo, também defendo cotas para mulheres bonitas na Engenharia.
Mas enfim, como disse, não vou entrar no mérito. Esse blog é novo demais para que um TS anônimo desenfreado comece a incomodar. Em lugar disso, atenho-me à minha frase anterior: discussão, aliás, que é um eufemismo.
E digo isso porque em todas essas discussões de cotas não existe realmente discussão. Existe uma professora tentando elucidar alunos "preconceituosos" ou "mal-informados", existem os tais alunos "preconceituosos" e "mal-informados" e existem auxiliares para a professora, alunos supostamente "abertos" e "bem-informados"
e sob efeito de substâncias ilícitas.
Eu não me incomodaria tanto em discutir cotas eternamente se ao menos houvesse abertura para diferentes pontos de vista. Mas não, é o bom e velho sistema de lavagem cerebral. Os alunos que não forem a favor das cotas são preconceituosos, nazistas, e certamente não serão bons psicólogos.
Isso me faz lembrar de uma coluna do David Coimbra em que ele dizia que as pessoas costumam ter muitos preconceitos contra quem tem preconceitos. Assino embaixo. Não que eu tenha preconceitos contra cotistas, mas tenho preconceito contra muita coisa e isso é quase um crime na minha condição de aprendiz de psicóloga.
Bullshit. Acho que todo mundo tem direito a ser contra algumas baboseiras politicamente corretas de vez em quando, se achar que elas são só baboseiras.
Mas não, pelo visto a palavra de ordem é fazer cara de pastel e amar as minorias. Aliás, minorias não, as minorias supostamente excluídas. Negros, índios, pobres, a lista vai ao infinito. E o irônico é que, no fim das contas, essas minorias são quem tem mais preconceitos. E assim todo mundo acha lindo um negro usando uma camiseta escrito "poder pro povo preto", mas se eu usasse uma variante caucasiana, só faltaria me deportarem pra sede do Ku Klux Kan.
Eu diria até que quem sofre mais preconceitos hoje em dia é quem é bonito, bem sucedido, saudável, inteligente, rico, e qualquer coisa assim. Por que aí as pessoas te taxam de arrogante, superficial, sanguessuga, ou qualquer outra porcaria que desvalorize os teus méritos. É a velha piada que circulava pela internet: se tu fores chata, tuas amigas perdoam; se forem gorda, elas perdoam; se forem solteirona, elas perdoam; mas agora experimenta ser magra, bonita...
Enquanto isso, as tais "minorias" tem seus traseiros lambidos por pessoas supostamente bem esclarecidas. Isso é tudo muito ridículo, porque na intenção de ser legal com quem é diferente, muita gente acaba não sendo legal com quem supostamente é igual. Tipo nas malditas discussões de cotas na faculdade, aonde no afã de ser legal com os amiguinhos de escolas públicas, trata-se os colegas de sala de aula com desprezo.
Preconceito é uma coisa muito complicada. Ninguém escapa dele e ninguém gosta de admitir que tem. Preconceito com hipocrisia, então, é dose... Certo que deve haver alguma sensação realmente orgástica em ser politicamente correto com essas coisinhas do Social mas chinelear pessoas em melhores condições. Prometo divulgar quando eu souber qual é.
Ah, dane-se, eu prefiro meu intestino grosso...